O auge do périplo foi a inauguração do Pavilhão Brasil na Expo Dubai, importante vitrine que se inaugurou no dia 1º de outubro para divulgar a imagem do país e atrair investimentos. Maior do que a Copa do Mundo, a Expo reúne 191 países e, ao longo dos próximos seis meses, receberá milhões de visitantes. Construído em torno do conceito de sustentabilidade, nosso Pavilhão serviu de palco para Mourão apresentar um Brasil que procura fortalecer a gestão ambiental. De quebra, o Vice-Presidente fez contatos nos Emirados Árabes Unidos com grandes empresários, que compram commodities e outros produtos brasileiros e têm capital para investir no país.
As visitas ao Egito e à Grécia também recuperaram a tradição da “diplomacia” brasileira de diversificar parcerias e identificar oportunidades fora dos grandes centros globais. O Egito é a segunda maior economia da África, grande comprador da carne brasileira e país de peso no xadrez político do Oriente Médio. A Grécia, apesar de mercado pequeno, é membro da OCDE, organismo no qual o Brasil deseja ingressar, e da União Europeia, com quem pleiteamos a ratificação de acordo comercial com o Mercosul.
Por onde esteve, Mourão apresentou sua estratégia para a Amazônia e as medidas recentes do Governo para fortalecimento da gestão ambiental, ressaltando as oportunidades para investimentos na bioeconomia de base florestal. Refutou, ainda, críticas ao Governo e divulgou as credenciais sustentáveis do agronegócio brasileiro – principal alvo das retaliações “ambientais” de alguns países europeus. Num chamado à realidade, argumentou que a melhor arma contra o desmatamento será a expansão das cadeias produtivas sustentáveis que já estão crescendo na região. A trajetória militar e o conhecimento da realidade amazônica deixam o Vice-Presidente à vontade com o tema – inclusive falando em inglês.
Mourão parece confirmar a vocação da vice-presidência para participar na condução de temas internacionais. A pouco mais de um mês da Cúpula de Glasgow sobre Mudança do Clima, a COP-26, nossos tímidos resultados em matéria de redução de desmatamento deverão novamente servir de bode expiatório para a promoção de interesses protecionistas, para desviar atenção da queima de combustíveis fósseis, origem de 70% das emissões globais, e para a ausência de concretização do financiamento ambiental prometido por países desenvolvidos.
Ao reconhecer a complexidade do problema, o Vice-Presidente apresentou uma visão menos simplista sobre a Amazônia e denunciou, indiretamente, a hipocrisia e os interesses de tantos “críticos”. Seu tom conciliador e conhecedor do terreno ajudam a remendar a esgarçada imagem ambiental do Brasil no exterior e a tirar o País das cordas. Nesse périplo, o General Mourão mostrou sua vocação diplomática, aliando discrição e estratégia.
Atuação: Empresário em educação de segurança pública e privada;
Professor em segurança pública e privada; e
Aluno da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.

